Em um momento em que o varejo brasileiro segue em transformação, pressionado por mudanças no comportamento do consumidor, digitalização acelerada e novas dinâmicas urbanas, os números divulgados pela Multiplan em Belo Horizonte ajudam a recolocar uma discussão essencial no centro do debate: o varejo físico não perdeu relevância; ele apenas deixou de funcionar em qualquer lugar.
Em 2025, os três shoppings administrados pela Multiplan na capital mineira, BH Shopping, DiamondMall e Pátio Savassi, somaram R$ 3,662 bilhões em vendas, registrando um crescimento de 9,72% em relação a 2024, acima da média nacional da companhia e acima do crescimento médio do varejo brasileiro no período.
Mais do que um bom resultado financeiro, esses números revelam algo mais profundo: quando localização, mix, densidade urbana, renda e fluxo estão alinhados, o varejo físico não apenas resiste, ele escala.
Este artigo analisa os dados divulgados, mas vai além: conecta os resultados à lógica territorial, ao comportamento urbano de Belo Horizonte e às decisões estratégicas que sustentam esse desempenho.
O contexto: por que os shoppings seguem crescendo em algumas cidades, e não em outras
Antes de olhar para os números específicos, é importante entender o pano de fundo.
Nos últimos anos, muitos discursos apressados decretaram o “fim dos shoppings” ou a “morte do varejo físico”. Na prática, o que os dados mostram é diferente:
o que perdeu espaço foram os ativos mal posicionados territorialmente, com mix genérico e pouca leitura da cidade.
Belo Horizonte, por sua vez, reúne características urbanas muito específicas:
Forte concentração de renda em determinados eixos da cidade
Centralidades bem definidas e consolidadas
Alta densidade residencial em áreas de influência direta dos shoppings
Um padrão de consumo altamente ligado à experiência, gastronomia e convivência
Os shoppings da Multiplan operam justamente dentro desses territórios maduros, onde o consumo não depende apenas de preço, mas de conveniência, permanência e pertencimento urbano.
Os números consolidados de 2025
De acordo com os dados divulgados:
Vendas totais: R$ 3,662 bilhões
Crescimento anual: +9,72%
Receita de locação: aproximadamente R$ 340 milhões
Crescimento da receita de locação: +4,39%
Taxas de ocupação: acima de 97% em todos os empreendimentos
Esses indicadores são relevantes por dois motivos:
Crescimento de vendas superior ao crescimento da economia
Alta ocupação mesmo em um cenário de custos elevados para lojistas
Isso sinaliza que os shoppings não estão apenas “cheios”, mas operando com produtividade por metro quadrado.
DiamondMall: crescimento acelerado e estratégia de expansão qualificada
O grande destaque de 2025 foi o DiamondMall.

Com vendas de R$ 1,042 bilhão, o shopping registrou um crescimento de 22,9%, o maior da Multiplan em todo o Brasil no período.
Esse resultado não é aleatório.
O papel da expansão física bem planejada
Em novembro de 2024, o DiamondMall inaugurou seu quarto piso, adicionando cerca de:
5 mil m² de Área Bruta Locável
26 novas operações
Reforço no mix de gastronomia, serviços e marcas premium
Ao contrário de expansões genéricas, essa ampliação seguiu uma lógica clara: ampliar a permanência e o ticket médio dentro de um território já altamente qualificado.
O resultado foi imediato:
Receita de locação cresceu 16,5%, chegando a aproximadamente R$ 81,8 milhões
Aumento expressivo no fluxo
Reforço do posicionamento premium do ativo
O DiamondMall mostra que expansão não é sobre tamanho, é sobre aderência territorial.
BH Shopping: volume, estabilidade e força de centralidade
Se o DiamondMall foi o destaque em crescimento percentual, o BH Shopping segue sendo o principal em volume absoluto.

Em 2025, o empreendimento registrou:
R$ 1,937 bilhão em vendas
Crescimento de 4,9% em relação a 2024
99% de ocupação, a maior entre os shoppings da capital
Esse desempenho está diretamente ligado ao papel do BH Shopping como centralidade urbana consolidada.
Localizado em uma área de forte concentração de renda, com excelente acessibilidade e alta densidade residencial no entorno, o shopping não depende de tendências momentâneas, ele faz parte do cotidiano da cidade.
Expansão e estratégia financeira
A Multiplan anunciou ainda:
Um projeto de expansão estimado em R$ 30 milhões, focado em novas lojas
A venda de 10% do ativo por R$ 285 milhões para um fundo de investimento
Esse movimento revela uma estratégia madura de portfólio:
extrair valor de ativos consolidados sem comprometer o controle e a performance operacional.
Pátio Savassi: escala média, alta eficiência
O Pátio Savassi completa o trio com um desempenho consistente:
R$ 682 milhões em vendas
Crescimento de 6,5% sobre 2024
Receita de locação com alta de 4,8%
Taxa de ocupação de 97,9%
Inserido em um bairro de forte identidade urbana, vida de rua ativa e perfil de consumo sofisticado, o Pátio Savassi se beneficia de algo cada vez mais valioso no varejo: proximidade real com o consumidor.
Ele opera menos como destino regional e mais como extensão do bairro, capturando fluxos cotidianos, encontros, alimentação e serviços.
O que esses três shoppings têm em comum?
Apesar de perfis diferentes, os três ativos compartilham fatores-chave:
Localização em territórios maduros
Alta densidade residencial no entorno
Forte correlação entre renda, fluxo e mix
Decisões baseadas em expansão qualificada, não volume cego
Leitura clara do papel urbano de cada shopping
Isso reforça um ponto central:
não é o formato shopping que garante sucesso, é a inteligência territorial por trás dele.
O varejo físico na era da decisão baseada em dados
Os resultados da Multiplan em BH ajudam a desmontar um mito comum:
o de que o varejo físico concorre diretamente com o digital.
Na prática, os shoppings mais bem-sucedidos são aqueles que:
Funcionam como hubs de experiência
Estão inseridos em territórios com comportamento previsível
Capturam fluxos reais de pessoas, não apenas tráfego potencial
Esse tipo de decisão exige cada vez menos intuição e cada vez mais dados urbanos, sociodemográficos e comportamentais.
O papel da inteligência territorial nas decisões de expansão
Expansões como a do DiamondMall, investimentos como os do BH Shopping e a estabilidade do Pátio Savassi não acontecem por acaso.
Elas partem de perguntas como:
Quem mora no entorno?
Qual a renda real e não apenas média?
Como o fluxo varia ao longo do dia e da semana?
Onde o consumo acontece, e onde ele vaza?
Qual o limite saudável de adensamento comercial?
Responder a essas perguntas exige leitura profunda do território, algo que vai muito além de mapas genéricos ou dados agregados.
Conclusão: o varejo não morreu, ele ficou mais exigente
Os R$ 3,6 bilhões em vendas da Multiplan em Belo Horizonte mostram que o varejo físico segue extremamente relevante quando:
Está no lugar certo
Atende ao público certo
Opera com mix adequado
Evolui com base em dados, não achismos
Cidades não são homogêneas.
Bairros não se comportam da mesma forma.
E decisões de expansão nunca deveriam ser replicadas sem leitura territorial.
Quem entende isso, cresce.
Quem ignora, fica para trás.
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